O Barómetro de Internamentos Sociais tem por objetivo monitorizar anualmente o fenómeno dos internamentos inapropriados, permitindo a sua quantificação e o desenvolvimento de ações conjuntas para minimização do seu impacto. Considera-se internamento inapropriado todos os dias que um doente passa no hospital após alta clínica e quando não existe um motivo de saúde que justifique a sua permanência em ambiente hospitalar.
Esta é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), com o suporte técnico da EY Portugal, e com o apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) e da Ordem dos Assistentes Sociais (OAS).
Os resultados da 10ª edição do Barómetro de Internamentos Sociais revelam que os internamentos sociais aumentaram quase 20% no espaço de um ano e apontam para um agravamento significativo do problema:
- 13,9% das camas do SNS estão ocupadas com internamentos inadequados, ou seja, com doentes que não deveriam estar internados num hospital
- Internamentos inapropriados custam mais de 350 milhões de euros por ano ao SNS
- Aumento significa um agravamento de mais de 60 milhões de euros nos custos para o Estado
- Falta de resposta das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) justifica a maior parte dos dias de internamentos inapropriados
- Mais de 439 mil dias de internamentos inapropriados, com uma demora média de 157 dias por episódio, continuam a pressionar a capacidade hospitalar, sobretudo nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo
Os internamentos sociais continuam a representar uma parte significativa dos internamentos em Portugal. Entre março de 2025 e março de 2026, o número de camas ocupadas no SNS por este motivo aumentou 19%, para 2.807.
Os internamentos inapropriados representam já 13,9% dos internados nos hospitais públicos. Há dois anos, o chamado índice de inapropriação do internamento estava nos 11,1% e, no barómetro do ano passado, nos 11,7%. Este índice reflete, agora, um custo anual para o Estado de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que no barómetro anterior. Os cálculos são feitos com base nos dados registados até 19 de março.
Ao todo, os serviços do SNS registaram 439.871 dias de internamentos inapropriados no espaço de um ano, mais 20% do que na análise anterior. Já o tempo médio dos internamentos sociais manteve-se praticamente inalterado (157 dias por episódio a nível nacional), embora se observem variações relevantes entre regiões, que vão dos 239 dias na Região Norte ou 124 em Lisboa e Vale do Tejo aos 32 dias no Alentejo.
A análise revela também que as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte são responsáveis por 85% do total dos internamentos inapropriados a nível nacional. A Região de Lisboa e Vale do Tejo apresentou o maior rácio entre o número de internamentos inapropriados e o número de camas disponíveis, com a situação a agravar-se significativamente face ao barómetro do ano passado.
A nível nacional, a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI) foi responsável pela maior parte (45%) dos internamentos inapropriados, acima dos 38% do ano anterior. Este é o principal motivo de internamento social em todas as regiões do país.
Quando a análise é feita aos motivos dos dias de internamento social o destaque vai para a falta de resposta em Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), que tem um impacto relevante no prolongamento dos internamentos em grande parte do país, com especial destaque para Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Outras causas relevantes, como situações sociais e familiares complexas, também têm um peso significativo.
Para Xavier Barreto, Presidente da APAH, “os internamentos sociais continuam a pressionar de forma considerável a capacidade de resposta do SNS, com impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados”. “É fundamental apostar no reforço da capacidade instalada fora do hospital e numa agilização dos processos legais, em particular no que toca ao Regime do Maior Acompanhado, que continua a constituir um bloqueio à alta. O investimento no apoio domiciliário e nos cuidadores deve também ser encarado como uma prioridade estrutural”.
As instituições possuem algumas alternativas aos internamentos sociais, nomeadamente a aplicação da portaria 38-A/2023, de 2 de fevereiro. Atualmente, a nível nacional, existem 27 instituições com alternativas, sendo que no dia 19 de março estavam 1.035 doentes em vagas contratualizadas, e 714 tinham sido integrados no âmbito da aplicação da referida portaria.
Os dados mostram, também, que a situação de internamento indevido incide igualmente sobre os dois sexos. Nota-se, porém, com maior incidência em doentes com mais de 65 anos (72%), em internamentos de índole médica (71%) e no serviço de medicina interna (46%).
O 10.º Barómetro de Internamentos Sociais contou com a participação de 41 unidades hospitalares do SNS, num total de 20.383 camas, representando 97% do total do SNS e tiveram como referência os dados reportados pelos hospitais do SNS aderentes à data de 19 de março.
Consulte o Relatório e a Infografia desta edição:
A apresentação de resultados da 10.ª Edição do Barómetro de Internamentos Sociais decorreu hoje, 23 de abril, no Auditório do Hospital de Vila Franca de Xira, Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo.
A análise foi apresentada por Miguel Amado, Partner, Government and Public Sector Leader da EY Portugal.
O evento contou também com um painel de debate moderado por Inês Espírito Santo, com a participação de comentadores de referência nas áreas do serviço social e da saúde designadamente Bernardo Mateiro Gomes (Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública), Helena Valentim Abrante (ULS Estuário do Tejo), Júlia Cardoso (Ordem dos Assistentes Sociais), Luís Duarte Costa (Sociedade Portuguesa de Medicina Interna) e Ponciano Oliveira (União das Misericórdias Portuguesas).
O encerramento esteve a cargo de Xavier Barreto, Presidente da APAH, e de Catarina Paulino, da ULS Estuário do Tejo.
Reveja o PROGRAMA.
10.ª edição do Barómetro de Internamentos Sociais * Apresentação de Resultados










