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No passado dia 26 de junho realizou-se no auditório do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, E.P.E. (HFF) mais uma edição do Caminho dos Hospitais, com o debate “Novos desafios do Sistema de Saúde – A Medicina Integrativa”. 
 
A iniciativa Caminho dos Hospitais resulta de uma aposta da APAH na "proximidade com a comunidade da saúde", criando mecanismos que promovem a inclusão através de visitas e reuniões programáticas mensais às instituições de saúde do Serviço Nacional de Saúde. 
 
Na edição de julho, a direção da APAH foi gentilmente acolhida pelo Conselho de Administração do HFF, tendo partilhado a sua visão e os desafios sobre diversas matérias inerentes ao seu funcionamento e, como tem vindo a ser hábito nesta inciativa, a direção da APAH reuniu com os administradores hospitalares do HFF, os quais expuseram as suas preocupações e questões relativamente a matérias laborais. 
 
A Medicina Integrativa foi a temática selecionada para a sessão debate desta edição, a qual contou com a intervenção do Prof. João Santos Lucas, CEO da Mediplano Serviços de Saúde e cofundador do Instituto de Estudos Asiáticos, da Dr.ª Ana Pedro, Coordenadora da Unidade de Dor do HFF e da Dr.ª Ana Luz e do Dr. Alberto Matias da Administração Central do Sistema de Saúde, I.P..
 
No enquadramento ao conceito de Medicina Integrativa, o Prof. João Santos Lucas reforçou a importância da relação complementar da medicina tradicional com as medicinas alternativas e complementares. No seu entender, não faz sentido considerar as medicinas alternativas como a panaceia para todos os males. Defende as suas mais-valias, mas acredita que estas só se tornarão evidentes numa estratégia de integração com a medicina tradicional. Pensa que a questão da sua integração é mais vasta e diz mesmo ser necessário repensar o sistema de saúde e promover uma mudança organizacional para o efeito. 
 
“No que temos de pensar é no modo como se fragmenta o ser humano para enfrentar a doença. O problema está na forma como os hospitais e os médicos lidam com os doentes, mais à procura de tratar a doença do que em relacionar-se com a pessoa”, esclarece, insistindo ser essencial construir um sistema em que os sistemas de saúde e os prestadores alinhem numa forma de prestar cuidados de saúde e não cuidados de doença. Admite, ainda, que parte do aumento da procura por parte dos doentes às modalidades de medicina alternativa advém do facto de a medicina convencional não dar resposta cabal às questões do equilibrio da pessoa.
 
Por seu turno, a Dra. Ana Pedro afirma que “o que estamos a viver é uma fase integradora e não uma mudança para outra abordagem” dando como exemplo a gestão da dor crónica, na qual faz sentido trabalhar com terapêuticas complementares. Frisa, contudo, que não se trata de uma alternativa, mas sim de um complemento à medicina dita tradicional. 
 
“Na nossa unidade, não tratamos apenas a dor crónica como doença, mas sim todo o impacto que ela tem no ser humano. É uma abordagem multidisciplinar que pretende abraçar todos os aspetos multimensionais e que vai mais além do que tratar apenas com medicamentos”. 
 
Consciente da sua aceitação crescente adverte, contudo, para a necessidade de que seja assegurado o seu exercício por profissionais com a formação adequada e deixando, por isso, o desejo de que a regulamentação seja feita de forma célere por forma a que seja assegurada e garantida a qualidade e segurança dos doentes.
 
As atividades para regulamentar as terapêuticas não convencionais em Portugal encontram-se a cargo da ACSS e disso mesmo deram nota, na sua intervenção, a Dra. Ana Luz e o Dr. Aberto Matias, partilhando todos os passos que têm sido dados na sua regulamentação desde a primeira legislação publicada em 2003. A definição de regras nesta matéria tem em vista assegurar um maior controlo, por forma a defender a saúde pública e proteger os utilizadores destas terapêuticas, nomeadamente com a denúncia de falsas promessas de tratamento, o reforço do consentimento informado, a criação de um quado sancionatório e o registo público dos profissionais credenciados e obtenção de cédula profissional. 
   
A propósito do tema “Novos desafios do sistema de saúde – A medicina integrativa”, Alexandre Lourenço, presidente da APAH, sublinhou a importância crescente das terapêuticas complementares no panorama clínico nacional. E defendeu ser urgente regulamentar e integrar estas práticas numa reforma mais vasta dos hospitais e considerou benéfico que as terapêuticas não convencionais venham, em breve, a estar integradas nos serviços dos hospitais portugueses. 
 
“Ao reorganizarmos os hospitais, temos de ser capazes de centrar os cuidados no doente e nos seus interesses. E julgo que as medicinas alternativas nos trazem isso. Trata-se de uma nova forma de ver a prestação de cuidados, centrada no doente e, por isso, é importante que discutamos este tema, sendo certo que no futuro vamos ter outros profissionais ao nosso lado nos hospitais, além de médicos e enfermeiros”, afirmou.
 
Francisco Velez Roxo, presidente do Conselho de Administração do HFF e anfitrião do evento, começou por elogiar o trabalho que a APAH tem desenvolvido na reformulação da gestão hospitalar. Quanto às terapêuticas alternativas, concordou que o caminho passa pela desmistificação de alguns conceitos e a progressiva integração destas valências nas unidades hospitalares em Portugal.
 
“A medicina integrativa é uma área muito propícia a equívocos, nomeadamente ao fazer-se uma divisão entre a medicina convencional e estas abordagens alternativas. Sabemos que a medicina científica tem um papel central, mas, em nome de um bem essencial que é a saúde, deve haver uma complementaridade entre os dois campos”, defendeu Francisco Velez Roxo, relembrando que a missão dos prestadores de cuidados de saúde não consiste apenas em tratar os doentes, mas também em melhorar a qualidade de vida da sociedade em geral.
 
Quem assistiu a esta última sessão do “Caminho dos Hospitais” terá concluído que as denominadas “modalidades alternativas” não constituem campos de conhecimento dissociados da medicina dita tradicional, requerendo uma estratégia de colaboração e integração.
 
 
 
 
 
 
 
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